Brandia a bengala e batia com ela no balcão enquanto gritava para algum elemento do público que o tinha enervado: "ponha-se na rua porque quem manda nesta casa sou eu. Estou cá a trabalhar desde os 12 anos". A Maria assistiu a vários episódios do género, comandados por um Escriba de certa idade, que mancava e considerava a Repartição um feudo seu. Estava 1974 prestes a dar lugar a novo ano e a então praticante nos Serviços sentia-se intimidade com a figura descrita.
A Maria recebia instruções para entrar antes da hora, juntamente os elementos efectivos, para dactilografarem documentos a extrair de uns livros enormes, visto a máquina de fotocópias não reduzir o tamanho das letras, e após a abertura ao público havia que ir para o atendimento. Nesse período, em que a porta se encontrava cerrada, conversava-se um pouco, mas não quando o senhor da bengala estivesse presente. Dizia ele que na Repartição não se podia falar sobre a vida particular, muito embora se estivessem a fazer horas extraordinárias sem qualquer pagamento!
