Na nossa família, o rei da mesa, no dia de Natal, foi, durante muitos anos, o peru. Por várias razões, rompemos com essa tradição, e, como nos encontramos numa zona onde é muito bem confeccionado o leitão à moda da Bairrada, passámos a encomendar um, para substituir o peru. Enfim, nem sempre se podem manter as tradições, apesar da vontade! Os meus pais, e os tios que consoavam connosco, (estou a falar de há anos atrás), são oriundos dos arredores de Portalegre, onde temos familiares, e o peru destinado para o dia de natal vinha pequenino, acompanhado de vários irmãos; pareciam pintainhos! Morriam com facilidade, mas os sobreviventes, ao chegar a Dezembro, estavam majestosos, ou não fossem criados pela minha avó materna e pelos meus tios, que se desdobravam em cuidados para com essas aves! A matança, a que me recusava assistir, dava que fazer, sendo que começavam por embriagar os bichos com aguardente! O meu marido ia ajudar nessa tarefa, que levava horas, até não haver uma única pena na pele dos perus.
Tenho saudades desses tempos...
