Causa-me muita impressão, saber que existem pessoas, que (sobre)vivem nos aeroportos! O seu número parece ter tendência a aumentar. Para os menos atentos, até passam despercebidos, no meio do vai-vem dos passageiros e acompanhantes. Há dias, estava um, estendido num banco de um aeroporto, com uma camisola a cobrir-lhe o rosto, penso que, a dormir. Um trolley pequeno, em cima do qual se empoleirava um saco de supermercado, escancarado, com restos de comida, onde pousava uma das mãos, constituíam toda a sua "bagagem". A confirmação de que se tratava de um sem abrigo, foi-me dada por já quem o conhece. E eu, que estava pouco satisfeita, por ter abandonado o meu leito quentinho, de madrugada, e ingerido um bom pequeno-almoço, à pressa, no aconchego da minha cozinha, para ir apanhar um voo que me levaria para uma semana de férias, num local do meu agrado, senti então um desconforto enorme...
